2.8.09

sobre despedidas e regras.

A gente conversava sobre tudo e nada, sobre a receita maravilhosa que peguei na internet, o show que ele viu, a música que eu conheço, a banda que ele odeia, uma mentira, algumas manias, muitas besteiras... coisa de gente que tá querendo se conhecer, quando - não mais que de repente - ele perguntou se eu me importaria se a gente não se visse mais. Eu não saio duas vezes com a mesma mulher. Assim mesmo, como quem diz que não toma café requentado ou não repete a mesma roupa durante a semana, com a calma de quem fala uma coisa muito trivial, uma mania ou uma besteira, ele falou. Enfim, não deixa de ser uma besteira, eu pensei.

Nesssa horas, ou você morre de raiva ou você chora. Vai depender do quanto você estava afim dele. Se era pouco, você não sofre por ele, mas morre de ódio porque ele mexeu com a pessoa errada. Se era muito, você se debulha em lágrimas e pergunta: Onde foi que eu errei? Eu não fiz nem uma coisa nem outra, eu dei risada. Não, sem deboche, sem recalque. Risada de achar graça mesmo. Porque é no mínimo engraçado um cara te falar isso em plena luz do dia, depois de passar a noite inteira te olhando com cara de bobo e rindo de todas as besteiras que você falava sem pensar. Ele pensa que engana quem? Eu disse "Adorei essa noite única" com um sorriso cínico que dizia "Até breve".

Então pra mim não foi nenhuma surpresa quando, no fim de semana seguinte, lá estava ele novamente com a mesma cara de bobo me olhando. Depois de ver o nascer do sol em um dos meus lugares preferidos, caminhar todo o centro da cidade só pra conversar mais um pouco, entrar em uma igreja batista, roubar um santo de uma casa e tomar café da manhã na padaria da esquina, mais uma vez estávamos conversando sobre tudo e nada - e eu só esperava a hora dele ir embora e dizer que não ficava com a mesma mulher três vezes. Mas não... ele me beijou apaixonadamente 500 vezes e disse que queria muito me ver nessa semana . Eu disse "Claro, me liga" com um sorriso triste que dizia "Até nunca mais".