23.12.08

2008

É pecado assumir que tive um ano ótimo? Porque quando eu falei na mesa do café todo mundo duvidou e reclamou "Ah, não dá pra medir... " "Não dá pra comparar..." "Teve coisas boas e ruins..." É medo de Deus castigar e mandar um 2009 pra se lascar, é? É culpa católica, só pode ser. Porque se eu não tive nenhuma doença, fiz viagens ótimas, recebi meus amigos na minha casa, consegui um emprego que adoro, tive cachaças memoráveis e histórias incríveis, porque mesmo que eu vou dizer que 2008 foi mais ou menos?

E eu que achava estar condenada a sofrer neste ano só por causa da noite de Reveillon. Uma bosta como várias outras noites deste ano. Mas isso não é normal para quem sai todo fim de semana? E a maioria das minhas noites foram ótimas, no primeiro semestre principalmente. O que seria desse ano sem a festa do Singate? Sim, em 2009 quero usar mais o meu batom vermelho bêbada pelas gôndolas do Pão de Açúcar. Quanto as baladas ruins, não vou culpar meu ano, mas prometo ser mais seletiva em 2009. Porque se eu fizesse um gráfico dos meus gastos em 2008, bebidas e petiscos não ficariam com menos que 40%. Eu não me arrependo, mas eu quero viajar para mais longe. Buenos Aires? Maratona de NY? Tudo vai depender das minhas próximas sextas à noite.

O primeiro semestre foi praticamente de férias. Em maio viajei para Brasília e defendi com sucesso a minha monografia e depois, sem emprego e sem especialização, tudo o que eu podia fazer era aproveitar a minha estadia em Teresina. E como eu aproveitei... menção honrosa pra meu aniversário que começou de dia, com cachaças sem fim, brincadeira do "cs" e amigos de várias temporadas. Prêmio revelação para a viagem pra Pedro II com meus novos melhores amigos de infância com direito a coro de Why does it always rain on me balançando as mãozinhas. Tem coisa mais férias do que isso? E ainda tiveram as noites no Tanque, o projeto Regatinha que só serviu pra deixar o nosso coração em forma, as caminhada na Raul Lopes que me deram a Zaira, a praticidade do bar em frente de casa, aulas de yoga pra me equilibrar, churrasquinhos no Bofe Lindo, recital do Fernandinho, corda da coca-cola pra nossas crianças internas... como posso falar mal de um ano em que pulei corda com meus amigos aos 26 anos?

Mas como tudo na vida, as férias também cansam. O mês de julho foi o que mais se aproximou de um aperreio: eu tinha que decidir entre ficar em Teresina ou arrumar uma boa desculpa pra voltar pra Recife. Voltei pra cá com a promessa de estudar pra um mestrado que, surpresa!, não se concretizou. Encontrei o apartamento com dois vestidos a menos e isso poderia ser uma coisa ruim do ano, mas pelo contrário, me deu determinação para morar só. Que é sem dúvida uma das melhores coisas de 2008. Tenho um contrato de um ano em um apartamento lindo só para mim. Não estudei para o mestrado, mas ganhei um emprego que veio com um mestre. É muito bom estar trabalhando em um ambiente legal, com um chefe que não só exige, mas que ensina também e, além disso, me deixou viajar pra São Paulo e Fernando de Noronha em menos de um mês!! Prêmio melhor chefe do ano pra ele JÁ!!

Das viagens, São Paulo foi especial por ter o show do Animal Collective, por eu ter falado com os "animais", por eu estar no show com pessoas especiais e ainda por ter reencontrado alguém que eu já conhecia através de sonhos. Fernando de Noronha foi convivência intensa com a natureza, comigo e com os meus. Não dizem que a água do mar é um bom cicatrizante? Eu acho que é verdade. E se alguma coisa ruim resolver acontecer, 2008 me ensinou que basta correr 10km que tudo melhora.