18.12.08

I'm fuckin' Ibiza - parte IV

Quando foi obrigada a embarcar nessa viagem eu só pensava que era um grande desperdício de tempo e dinheiro uma pessoa como eu que não sabe nadar ir para Fernando de Noronha. Afinal, tudo que eu imaginava da ilha era algum Globo Repórter sobre mergulho entre golfinhos e tubarões. Assim que o navio ancorou próximo à ilha recebemos a programação dos roteiros oferecidos e eu tive a confirmação de que Fernando de Noronha realmente acontecia debaixo d'agua.

Todas as descrições dos passeios tinham barco, mar ou mergulho, ou ainda, as três juntas - que foi o caso da nossa primeira escolha: "passeio marítimo". De manhã cedo saímos do navio e fomos para um barco de pesca com capacidade para 30 pessoas fazer um tour de duas horas em volta da ilha, com pausa - óbvio - para banho em alto mar e mergulho. Logo no início o guia nos avisou sobre a possibilidade de vermos golfinhos e eu dei um sorrisinho de oh-que-legal, sem saber que minutos depois ia derramar umas lagriminhas ao ver um monte desses bichos fofos nadando perto do nosso barco. Eles não são fotogênicos, coitados... São muito mais bonitos pessoalmente do que em foto ou vídeo. Na verdade eles são as coisas mais meiguinhas com aqueles olhinhos miudinhos andando em turminhas e eu passei de pessoa sem coração para bicha meiga em meia hora. Os golfinhos tem esse poder, minha gente.

Depois desse momento terno, o barco parou no meio de uma baía e todo mundo se jogou na vibe nadar em alto mar e ver peixinhos com snorkel. Todo mundo recebia um macarrão para descer e eu me perguntei: why not? Não bastava a audácia de passar cinco dias com água por todos os lados, eu ia tomar banho naquele mar transparente há 8 metros do chão mais próximo. Tudo bem, eu não me afastei nem três metros do barco com medo da correnteza me levar pra sempre, mas curti demais boiar - dizer "nadar" é muita ousadia, né? - rodeada de peixinhos coloridos que nem davam confiança pra gente.

Quando voltei pro barco Noronha era o lugar mais bonito que eu tinha visto, eu não era mais um peixe fora d'agua e um pouco de otimismo já não fazia mal a ninguém.