17.5.09

encontros e desencontros - II

Já faz mais de quatro meses que o meu Ipod quebrou e eu continuo correndo, acredita? Quando soube que em um pouco mais que isso tu poderia não estar mais correndo, lembrei daquela tarde no Alto da Sé em que a gente trocou idéias sobre planilhas de treino e tu riu da minha cara porque eu não conseguia correr sem o ipod. Eu não tava brincando quando disse que interrompia meu treino quando a bateria do ipod acabava - eu juro que não conseguia correr nem mais 100 metros! É realmente uma piada, mas naquela hora eu não achei a menor graça.

Eu sorri mesmo foi quando tu resolveu me ensinar como fazer exercícios para correr melhor. Eu devia ter te filmado, meio bêbado, fazendo avanços e agachamentos entre as mesas. Mas eu sempre esqueço que não devo confiar na minha memória. [...] Em que eu devo confiar? Nós tínhamos feito uma promessa de correr a maratona de NYC em 2010 e eu me sinto incompreensivelmente traída porque não vamos sequer ter a chance de tentar. É uma grande ilusão fazer planos a longo prazo? [...]

Eu já nem lembro como foram os primeiros treinos sem ipod, se houve algum desconforto este já foi esquecido. É tão mais natural correr ouvindo o som das minhas passadas que eu não conseguiria determinar quando "descobri" a relação entre a percepção deste som e a qualidade dos treinos. Claro, agora eu também faço piada de quem é dependente de ipod. A gente poderia sorrir juntos agora. Eu queria muito sorrir contigo. Eu queria muito que tu estivesse aqui, porque quando tu foi embora só ficaram as memórias e os planos. Me desculpa por chorar. Eu definitivamente devia ter te filmado.