11.6.11

redescobrindo a cidade [parte 1]

"Nesse verão decidi fazer algo diferente...." 
No meu aniversário deste ano resolvi me dar uma bicicleta de presente. Desde o aniversário de 1992 eu não tinha uma bicicleta pra chamar de minha. De vez em quando eu dava umas pedaladas em uma bicicleta emprestada, mas isso era tão esporádico que nem lembro a última vez que aconteceu. Certo é que fazia muito tempo que eu não sabia o que era ter uma bicicleta só minha, do jeitinho que eu queria, com cestinha de vime e visual retrô. Fiquei toda empolgada e, muito influenciada por todos esses blogs europeus de cyclechic, decidi fazer da bicicleta o meu meio de transporte urbano oficial.

Na teoria era tudo muito fácil; bastava equipar a magrela com luz frontal e traseira, comprar um capacete, um bagageiro e cadeados de segurança e voilá: estaria pronta para a cidade. Eu, que há tempos não pedalava, achava que aquela máxima de que "você nunca esquece como andar de bicicleta" era suficiente, sem saber que pedalar pela cidade é bem mais do que se equilibrar em cima daquelas duas rodinhas.

Quando chegou a hora de sair à rua de fato, no contato com o trânsito percebi que as coisas não seriam assim tão fáceis. No meu primeiro passeio eu estava em estado de alerta máximo; tinha medo dos carros, dos buracos nas ruas, das esquinas e dos sinais de trânsito. Não tinha como relaxar e aproveitar o momento - qualquer olhar desatento era uma distração que eu não poderia me permitir. Lembrei da sensação de quando fui morar em outra cidade e peguei sozinha um ônibus para um lugar distante. A paisagem estava lá para ser apreciada, mas tudo que eu enxergava eram pontos de referência para que eu não me perdesse na cidade desconhecida.

E era bem assim que eu me sentia: como se eu estivesse conhecendo minha cidade pela primeira vez. A todo momento eu pensava "Mas como eu nunca tinha reparado nessa ciclovia? nos buracos dessa avenida? na falta de caçadas dessa rua?" - Eram novos pontos de referência vindos de uma nova perspectiva, para que o medo do desconhecido fosse aos poucos cedendo espaço à segurança e à fruição. A cada nova rua, avenida, bairro, o processo se repete - o primeiro contato, o medo, o estado de alerta, os pontos de referência, a segurança, relaxar, curtir a paisagem. A cada pedalada os momentos agradáveis e a sensação de segurança aumentam e aos poucos eu vou descobrindo a cidade em que sempre morei.