21.6.11

redescobrindo a cidade [parte 2]

Não sei bem como começou minha paixão pelas cidades. Talvez tenha começado pelo amor que nutro pela cidade em que nasci e me criei: Teresina. Não que a capital piauiense seja uma cidade apaixonante, pelo contrário: é quase um esporte local falar mal e reclamar da nossa cidade. Eu também falo mal, xingo, peço pra ir embora, reclamo do calor e de mais umas trocentas coisas, mas desde que me entendo por gente, tenho uma relação intensa com esse emaranhado de ruas, prédios e pessoas que se chama Teresina. Não é uma relação baseada em admiração, haja visto as reclamações, mas principalmente em CUMPLICIDADE. Como se a cidade tivesse seus tesouros e só aos que a olham com atenção fosse permitido os conhecer.

Eu gosto de saber o nome das ruas, dos bairros, dos monumentos, os caminhos, os atalhos... Vejo a cidade como uma obra coletiva escrita diariamente, pronta para ser lida, às vezes com trechos de obra prima, as vezes uma literatura barata. O problema é que nem todo mundo gosta de ler, dizem que têm preguiça e preferem ver TV. Tem gente que prefere ver a cidade simplesmente como o espaço inevitável que separa a sua casa do trabalho, da escola, do restaurante preferido, etc. No piloto automático, essas pessoas não erram o caminho de casa, mas nem ouse perguntar o nome de uma rua paralela àquela que elas percorrem todo dia, você pode se perder. Não vou negar, tenho orgulho quando meus amigos brincam comigo dizendo que sou um "GPS humano".

Minha relação com Teresina me ensinou que toda cidade, por mais simples que seja,  tem algo a nos oferecer. As vezes até me pergunto o que veio primeiro: minha paixão pelas cidades ou pelas viagens.  Pra mim são duas coisas intrinsecamente ligadas. Viajar e ficar no circuito hotel-ponto turístico-táxi-shopping é desperdiçar a oportunidade de conhecer e muitas vezes aprender, não só sobre a cidade em si, mas sobre você mesmo. Mas como alguém que não se presta a conhecer nem a própria cidade, vai ter vontade de descobrir as cidades alheias?  E pior: como alguém que não enxerga em sua cidade nada além dos seus espaços privados irá olhar com interesse para as peculiaridades e mazelas das cidades em geral?

Para que a cidade inspire cuidado é preciso conhecê-la. Na minha opinião é urgente que as pessoas redescubram os lugares em que vivem. Largar a preguiça de ler a paisagem, de conhecer, de caminhar, de conversar. É preciso deixar um pouquinho o carro na garagem e os medos e inseguranças em casa. Existem n  formas de (re)conhecer uma cidade e uma delas é correr pelas suas ruas. E é assim que eu tenho redescoberto aquela que foi a primeira cidade pela qual me apaixonei: a minha. Mas isso eu conto na "parte 3". E vocês, são apaixonados por suas cidades?