14.7.11

dias ruins, dias bons.

"Sticks and stones and animal bones 
Can't stop me from having a good day on a bad day" 
Kaiser Chiefs



Será que o Dalai Lama tem dias ruins? Daqueles em que você acorda com preguiça de viver e só quer ficar no seu cantinho deitada em posição fetal. Ou como diz a música da Vânia Abreu: "Saudade, não sei bem de quê/ Tristeza, não sei bem por que/ Vontade até sem querer de chorar/ Angústia de não se entender/ Um tédio que a gente nem crê/ Anseio de tudo esquecer e voltar". Era nesse tipo de coisa que eu pensava enquanto a fisioterapeuta brincava de estica e puxa com a minha perna. Sim, eu estava em um desses dias e não, eu não estava de TPM.

Durante o dia pensei trocentas vezes em desmarcar a fisioterapia - tudo que eu queria era comer alguma coisa gostosa acompanhada de uma coca cola bem gelada. Não queria sair de casa, não queria ver gente e quando entrei no carro da minha companheira de fisio já fui logo avisando "Hoje eu tô po-dre!". Ela sorriu e disse em bom piauiês que também acordou "injuriada". Chegamos a conclusão que sofríamos do mesmo mal: falta de corrida. Como não desrespeitamos a recomendação médica, combinamos comer alguma coisa bem gostosa depois da fisio. Afinal que mal resiste à um café na companhia de amigos?

Ao chegar na clínica, descobrimos que era aniversário da atendente que todo dia nos recebe com uma simpatia ímpar. Um abraço verdadeiro, votos de felicidade e por alguns instantes esqueci que estava ali contrariada. Na sessão, aquele mau humor que me dominava até então foi sendo pulverizado por cuidados, sorrisos espontâneos, simpatia e boas conversas. Já saímos para o café sorrindo e fazendo piada das nossas mazelas - mas ainda com o firme propósito de sabotar nossa dieta. Espírito de gordinha feelings.

Dá-lhe iced capuccino, empadas e fofocas. Na hora de pagar a conta avistamos uma bandeja com uns cupcakes fofinhos e decidimos levar um com velinha e tudo para a Edilene, nossa atendente sempre tão solícita. Um gesto tão banal, um bolinho que custou quase nada, uma forma de dizer obrigada por tornar o nosso fardo mais suave. Vê-la sorrindo com os olhos marejados por nossa surpresa eliminou qualquer resquício de tristeza que havia em mim. Talvez seja esse o segredo do Dalai Lama: a capacidade de emocionar e fazer a diferença no dia de alguém. Não há dia ruim que persista.

ps. o mantra pros próximos dias vai ser: acordar em um dia ruim é inevitável, continuar ruim é opcional.