12.7.11

a vida em seus métodos diz calma

Ou quando pensar a longo prazo significa "sacrificar" o presente.

É, não consigo pensar em uma palavra melhor que SACRIFÍCIO para definir a sensação de abrir mão da corrida por um tempo pra prolongar a minha vida útil como corredora. Só são 15 dias sem correr, alguém consola. Mas quem treina com frequência sabe o quanto dói querer correr e não poder. Pode ser um dia, uma semana ou um mês. Já sinto a crise de abstinência se aproximando....

Finalmente criei vergonha na cara e marquei uma consulta com o ortopedista. Há mais de duas semanas sentia uma dor no joelho direito, nada muito grave, poderia continuar a correr até o joelho estourar, já estava até me acostumando com aqueles estalinhos no joelho - quase uma trilha sonora do meu dia. A questão é que  se a idéia de deixar de correr por uns dias não me agrada, a idéia de ter algo sério no meu joelho realmente me apavora. Tratei logo de ir fazer os exames e rezar para não ser nada desesperador.

Ufa! A sentença: síndrome da dor patelo-femoral. É o tal "joelho do corredor" dando as caras, em estágio inicial - Ufa de novo! A pena: 15 dias sem correr- no mínimo, fisioterapia e remedinho. Ontem fiz minha primeira sessão de fisio: 20 minutos de TENS - um aparelho que parece ter mil formiguinhas fazendo cócegas no meu joelho, 15 minutos de luz infra, 6 minutos de microondas - antes de ir para essa fase eu já me imaginava como um saco de pipocas dentro de um grande microondas, mas quando cheguei lá era só um aparelho que dava uma esquentadinha gostosa no joelho. Pra finalizar, muito alongamento e gelo. Nunca tinha feito fisioterapia e achei super tranquilo, quase cochilo no infra! Voltei pra casa bem relaxada e com a sensação de que fiz a coisa certa (ir ao médico!).

Esse foi o primeiro dia sem correr. Faltam mais nove sessões de fisioterapia. Tenho medo do meu bom humor sucumbir a falta de endorfina e esse blog presenciar vários posts amargos sobre "não correr". O meu grande estímulo para sobreviver a esses dias sem correr é imaginar que depois de tantos cuidados, terei um joelho novinho em folha, zerado e voltarei às pistas melhor do que antes, em uma forma incrível de dar inveja a Paula Radcliffe. É, acho que cochilei mesmo no infra... e até sonhei.