7.9.12

Coca-Cola e o amor

Mais uma vez estou tentando largar esse vício delicioso. Desde que me entendo por gente eu tomo coca-cola e muita gente diz: mas sua mãe é louca. Ora, a família inteira toma coca-cola todo dia e eu iria ficar de fora? Comecei cedo nessa vida e muito cedo também comecei a ouvir que meus dentes ficariam amarelos e meus ossos fracos, que eu teria insônia e engordaria litros. Pra falar a verdade, tudo isso já aconteceu uma vez ou outra na vida, mas duvido que a culpa seja do refri. Aliás, meus ossos são legais - nunca luxei, torci, fraturei, engessei nada. Então porque eu deveria me privar de um hábito que eu gosto tanto?

Ah, as coisas do amor. A primeira vez que tentei parar de tomar coca-cola foi entre os 15~17 anos e eu estava muito apaixonada por um menino que, dentre muitas outras qualidades, também era viciado em coca-cola e em uma daquelas intermináveis ligações telefônicas que só os adolescentes são capazes de manter, nós tivemos a ideia de fazer uma competição pra ver qual dos dois passava mais tempo sem tomar nosso refri preferido. Eu nem lembro mais quem ganhou a aposta. Mas posso afirmar com toda a certeza que foi o maior período que passei sem tomar coca-cola. Algo entre 3 e 5 meses, talvez.

Depois disso eu até tive boas fases saudáveis e tentei sem sucesso parar de tomar refrigerante, mas nunca passou nem de uma semana. Quando morava só e tinha que contar os dinheiros direitinho pra não faltar no final do mês, eu decidi abolir o refrigerante do almoço no self-service perto do trabalho. Infelizmente o dinheiro não se mostrou motivo suficiente e logo tratei de providenciar uma coca de 2 litros para a geladeira da minha casa. Se não podia beber uma latinha cara no almoço, pelo menos no final do dia eu teria a minha recompensa. Estava faltando um motivo mais forte: o amor.

Estou confiante dessa vez, pois esse motivo agora eu tenho de sobra. Não por outra pessoa, mas por mim. Tô seriamente apaixonada por essa minha versão saudável que nasceu há um pouco mais de um ano. Essa pessoa que corre, malha, come proteína em todas as refeições, se alonga e põe gelo nas pernas depois dos treinos. Enfim, que se cuida. Porque nesses anos de corrida, percebi que nem sempre fazer uma atividade regular significa que você ama e cuida do seu corpo. Eu não me preocupo se meus dentes ficarão amarelos ou se vou ter gastrite, mas o simples fato de uma lata de Coca-cola ter 37g de açúcar e 137 calorias me incomoda muito mais. Geralmente bebia duas latinhas por dia, todos os dias da semana, mas não vou nem fazer as contas pra saber o quanto de açúcar tenho ingerido assim. Só posso dizer que o prazer em se cuidar suplanta aquele de beber coca-cola diariamente.

Mas que fique bem claro: não pretendo parar de tomar coca-cola. Só quero não ser mais viciada a ponto de beber todo dia. Ainda acho que não existe melhor bebida pra acompanhar uma pizza. E no dia que estiver muito quente e a coca-cola estiver tão gelada (naquele estado pastoso que todo viciado reconhece!), eu vou sim beber um copo. Amor e liberdade são duas palavras que rimam na minha língua e eu não quero ser escrava nem dos maus nem dos bons hábitos.

Será se ele conseguiu?!