26.9.12

Sem música para não cair

Trilha
Alguns hábitos estranhos nos acompanham desde criança, outros vamos descobrindo com as circunstâncias da vida. E foi assim, numa circunstância bem comum deste blog - correndo, que descobri que não enxergo muito bem quando estou ouvindo música. Do contrário eu sabia, pois muitas vezes antes de me dar conta, saco os óculos da cara e pergunto: "O quê? Não ouvi!". Sim, eu ouço melhor sem óculos. [risos] Nem tento entender, afinal não faz o menor sentido. Ou então tem a ver com os sentidos. Vai saber.

A descoberta se deu quando fui correr numa trilhazinha e logo nos primeiros metros senti que não ia fluir aquele treino com o fone de ouvido. Pensei até ser um problema de falta de sincronização, sei lá, hip hop no mato? Talvez caísse melhor uma quinta sinfonia ou as quatro estações. Mas a verdade é que quem estava quase caindo era eu - pisava insegura com medo das folhas esconderem armadilhas e sem firmeza, os pés desequilibram por um segundo antes de seguir adiante. 


Sem a música, tudo o que eu ouvia era a cantoria dos passarinhos lá de cima dos angicos e o som dos meus pés amassando as folhas secas. Sim, as mesmas folhas que antes amedrontavam, agora marcam o ritmo da minha corrida e me estimulam a relaxar e aproveitar aquele momento. Mas familiarizada, abandonava as passadas babysteps e descia com mais agilidade. Até ensaiava uns saltos. E quando acertava, minha criança interna abria um sorrisinho de satisfação.


Corri 6km silenciosos e revigorantes nessa trilha modesta de apenas 1km de extensão, mas toda sombreada e bem pertinho do rio Poty. E o melhor: a 750 metros da minha casa. E convenhamos, num lugar tão lindinho como esse, nem precisa ouvir música, né? 


a beleza dos angicos
o rio Poty ali do lado