31.10.12

Me corrija, por favor.

Não me considero uma pessoa perfeccionista, mas uma das coisas que mais amo na nossa existência é a capacidade de aprender. Me apavora ser uma dessas pessoas que acham que já sabem "tudo que precisam" para viver. Como se fôssemos um HD com limite de capacidade! Quero é aprender até quando os meus sentidos permitirem. Tem aqueles que querem aprender, mas não gostam de ser corrigidos. Como aprender com os outros se você quer estar sempre certo? Pela minha experiência, apesar de mais sofrida, a aprendizagem através dos erros é mais duradoura. E como eu erro!

A ideia desse post surgiu depois da aula passada de ballet. O professor passou a aula inteira me corrigindo. Eu poderia ter odiado e me sentido a pior aluna da turma, mas na verdade saí exultante achando aquela foi a melhor aula que fiz até agora. Por quê? Simplesmente porque foi a aula em que mais aprendi. A cada rotina eu torcia para que o professor se aproximasse da barra para me corrigir e ao mesmo tempo me esforçava mais ainda para que ao se aproximar ele encontrasse menos defeitos a serem corrigidos. Sei que é um saco quando só apontam seus erros e não te ajudam em nada a consertá-los. Isso sim dá raiva. Mas quando você encontra alguém disposto a te ajudar a identificar e superar suas deficiências você só sente gratidão.

Não é fácil identificar sozinho seus erros, seja no ballet ou na corrida (e em muitas outras coisas). Você sempre imagina estar fazendo o movimento certo e da melhor forma possível. Bom, essa é a intenção. E ainda que você tenha  uma consciência corporal tremenda, ouvir alguém de sua confiança é de grande valia para melhorar. É tão bom quando você já tá no final de um treino cansativo e um amigo te fala para abrir os ombros porque você tá curvado ou fala pra você se alinhar porque você tá correndo "sentado". E eu aposto que você vai lembrar do seu amigo e dos conselhos dele quando você estiver no final de outro treino, sozinho e cansado. Sim, eu aprendo com meus amigos.

Quem pensa que só aprende com professor e com gente mais velha está desperdiçando muitas chances. Eu aprendo também com gente mais nova do que eu. Experiência não tem nada a ver com idade. Um dia desses uma menina dez anos mais nova do que eu - e muito solícita - me ensinava exercícios de alongamento e flexibilidade. Ora, ela dança desde os 3 anos de idade. Como não aprender com ela? Aprender para ensinar também, claro. Assim como a felicidade, acredito que o conhecimento só é real quando compartilhado. De que adianta você saber tantas coisas e guardá-las só pra si? Não que eu me preocupe muito com a posteridade, mas acho que é através dessa troca de experiências que permanecemos vivos.

Aprendi isso no filme Na Natureza Selvagem