4.10.12

O calor e a corrida



Boa nova para os corredores do semiárido. Deu no New York Times: a luta contra as temperaturas elevadas pode melhorar nosso desempenho. A ideia é a seguinte: quando você se exercita num dia quente, o desafio para o corpo é levar sangue para a pele - para manter a temperatura longe de níveis elevados - e ao mesmo tempo fornecer sangue para os músculos. No início, o corpo sofre. Mas segundo a reportagem, depois de quatro ou cinco dias correndo sob essas condições, o corpo começa a se acostumar com o calor. Difícil é conseguir encarar os 40º de Teresina nem que seja só por um dia.

Aí vem as vantagens: volume do sangue aumenta, menos oxigênio é necessário para gerar o mesmo esforço, o coração se torna mais eficiente, e os músculos se tornam mais fortes e usam menos glicogênio, sua fonte de energia principal. De certo modo, é análogo ao que acontece quando alguém se exercita em altitudes elevadas. Nesse caso, o corpo se adapta produzindo mais células vermelhas do sangue, o que aumenta o oxigênio fornecido para os músculos, melhorando a performance durante o treinamento e corridas em altitudes normais. 

A pesquisa sobre a influência das condições climáticas na performance foi feita com ciclistas que foram divididos em dois grupos. Ambos faziam treinos duros de velocidade e resistência durante as manhãs de temperatura amena. A tarde, o grupo experimental fazia um treinamento leve numa sala com temperatura de 40 graus e o grupo controle fazia o mesmo treinamento, porém numa sala à 13 graus. Depois de 10 dias de aclimatação ao calor, os resultados foram surpreendentes. O desempenho do grupo experimental melhorou entre 4 a 8% nos treinamentos fortes pela manhã. Segundo o pesquisador,  os resultados foram melhores do que os de treinamento em altitude. 

Se empolgou para correr 3 horas da tarde? Muita calma nessa hora. Essa pesquisa não implica que nós, corredores pangarés do sertão, vamos nos tornar mais rápidos e fortes quando formos correr em Porto Alegre ou Curitiba. O problema é que para se tornar mais rápido você tem que correr mais rápido em seus treinos, mas quando as temperaturas estão elevadas o nosso corpo sabiamente desacelera - afinal, ninguém quer bater nem o motor nem as botas correndo, né? O resultado é que você simplesmente não consegue correr rápido quando o "sol tá quente". Por isso que os ciclistas nas pesquisas faziam os treinos de velocidade durante as manhãs frias e usavam a sala aquecida em treinos leves só pra se acostumar ao calor.

Mas ainda assim pode haver uma vantagem. Inclusive psicológica. Pois aqueles que fazem treinamentos duros ao ar livre em dias quentes tem que superar barreiras mentais para ir além. E esse tipo de resistência psicológica pode se reverter em um melhor desempenho. Além disso, o pesquisador sugere que se você quer realmente se beneficiar da aclimatação ao calor, você deve fazer a maior parte do seu treino ao ar livre e então ir para uma academia climatizada para finalizar com um treino de velocidade.

Achei a pesquisa interessante e a informação válida. Já tô até me sentindo meio anta de só correr na esteira nesses meses mais quentes do ano. Para quem quiser ler o texto original sem a minha tradução de fundo de quintal, clica aqui.