20.11.12

Parceria na corrida e na vida

Quem corre sabe o quanto é difícil encontrar um parceiro de corrida ideal. Que não te atrase nem te faça acelerar demais. Quem vive sabe que é tarefa mais difícil ainda encontrar um amigo de verdade. Portanto, sinto que ganhei na loteria por ter tido nesses cinco anos de corrida, três incríveis amigos e parceiros de corrida.Com minha primeira "parêa"- era assim que a gente se chamava - dei meus primeiros passos na corrida.  Ela foi fundamental para que eu não desistisse na primeira canelite. Nós duas compartilhamos a empolgação com a rápida evolução dos primeiros meses de treino. No entanto, Misha não continuou a evoluir comigo, pois tinha uma graduação para terminar. Quando ela voltou a correr, eu já estava mais rápida e entendemos que a parceria na corrida havia terminado. A amizade continuou firme e forte. Nesse hiato eu corria com várias pessoas do grupo, mas com nenhuma encaixava um ritmo bom, por isso não tinha uma nova "parêa" específica. Até começar a correr com Carol, minha segunda parceira na corrida e na vida.

O nosso grupo de corrida tinha muitas Carol (Caróis? kkkk) e para diferenciar cada uma delas,  os nossos professores inventavam apelidos. Umas eram chamadas pelo sobrenome, outras pelo segundo nome. A minha amiga Carol era a "Carol Rápida", pois mesmo quando estava com problemas nas costas, ela se recusava a desacelerar ou parar de correr. Penso que Carol poderia ter muitos outros apelidos além de "Rápida"; ela poderia ser Carol Sorridente, Carol Elétrica, Carol Carismática... bons adjetivos não faltam para descrever essa criatura. Foi com ela que corri as minhas melhores provas em Recife. E essa parceria só terminou por que em 2010 voltei para Teresina.  Outra amizade para a vida inteira.

Mesmo morando longe, a parceria continuou. Não nos encontrávamos mais na pista para botar a conversa em dia, mas as redes sociais fizeram seu papel e nos mantiveram atualizadas. Pude curtir as fotos das corridas que as meninas participavam em Recife e compartilhamos nossas alegrias, vitórias e tristezas por mensagens e emails. Ontem, em uma dessas trocas de mensagens, Carol me avisou que havia atualizado seu blog. É por causa do último post dela que estou escrevendo esse texto. Minha amiga contou sua luta atual contra o câncer de mama desde a notícia no consultório do mastologista até as sessões de quimioterapia que ainda não terminaram.

Chorei de preocupação pela sua saúde, mas também de alegria pela sorte de ter uma amiga tão especial. Só mesmo a Carol para relatar com tanta sinceridade, naturalidade e positividade, uma doença que a nossa sociedade trata como tabu e as vezes até como uma sentença de morte. Ela não escreveu o post para inspirar pena, mas para ajudar outras pessoas que estejam passando pela mesma situação. Não tenho dúvidas de que ela vai atingir seu objetivo. Carol é o tipo de pessoa que tira fotos num centro cirúrgico e faz parecer fácil perder seus cabelos. É o tipo de pessoa que mostra que a quimioterapia não mata a auto-estima nem a disposição para malhar!!! Por essas e outras que a Carol é inspiração não só pra quem está com câncer de mama, mas também pra mim e pra todos os outros que as vezes esquecem da alegria que é estar vivo.

Duas vezes parceira: na corrida e na vida!

ps. No começo do texto falei que tive três grandes parcerias na corrida, mas só falei de duas. Quando voltei pra Teresina passei um tempo sem correr, desestimulada pela falta de um grupo e principalmente de uma companhia ideal para correr. Só voltei a correr quando encontrei uns amigos que corriam e juntos nós viramos o nosso próprio grupo de corrida.