7.11.12

Uma boa prova

Nesse ano fiz duas meias: a do Rio em agosto e a Golden Four domingo passado. Mesma distância, provas completamente diferentes. No Rio existe aquela paisagem, os corredores fantasiados, o clima de festa e a torcida te incentivando. Tem um percurso difícil e uma largada tarde que não ajuda. Em Brasília não há espaço para distrações; a largada é cedo, não tem público para torcer, o percurso favorece a velocidade e as pessoas parecem muito concentradas. Uma é diversão, a outra é técnica.  Difícil dizer qual é a melhor.

Passada a agonia pré-largada, eu pude respirar aliviada e fui pra faixa dos que estimavam terminar a prova em 2h e 15min. Eu achava que ia ter marcadores de pace, mas só vi para quem ia fazer em menor tempo, como abaixo de 2h. Fiz uns aquecimentos, bebi mais água e rezei para não ter dor de barriga durante a prova. O começo da prova já é uma mega descida e quando olhei meu relógio eu estava correndo a 5'40", um pace bem abaixo do que eu treinei. Eu sabia que se não segurasse meu ritmo sofreria quando as descidas acabassem. Puxei assunto com uma corredora ao lado e só controlei pra não desacelerar demais.  Quando passei pelo km 10, o relógio marcava 1h e 1 minuto. Fiquei aliviada pelo bom tempo até ali, pois os próximos quilômetros seriam mais difíceis. Até o km 15 era uma subidinha enjoada e eu sabia que minha velocidade ia diminuir; então desencanei do relógio e fui apenas tentando alcançar as pessoas que estavam na minha frente. Foi uma boa estratégia, pois assim não fiquei entediada. Ah, e reparei que os flamboyants de Brasília são os mais bonitos que eu já vi.

Os últimos quilômetros tinham algumas descidas e eu pude recuperar um pouco o meu ritmo. O cansaço só bateu no km 19 - senti as pernas pesadas, tentava manter o pace estimado, mas elas não obedeciam. No quilômetro final, buscando qualquer estímulo, mudei a função do relógio de pace para tempo percorrido e vi que tinha corrido 2h08'. Pensei: "Correr pra fechar em 2h10'!" e o ânimo voltou. As estratégias dos treinos na esteira funcionando! hehehe Cruzei a linha da chegada em 2h11' - 3 minutos abaixo do tempo que eu havia previsto e o meu melhor tempo nessa distância. Fiquei contente porque meu treino funcionou - eu era muito insegura por não estar mais correndo na rua. Usei o cinto de hidratação e ele não me incomodou em nada, foi uma boa escolha. As jujubas super cumpriram o papel de dar energia e são mais gostosas do que o gel. São Pedro caprichou no dia: nem chuva, nem sol. Enquanto corria, pensava e agradecia pelos amigos que me ajudam e estimulam. Fábio e Aline, vocês correram comigo. Como arquiteta, curti ser apenas um pontinho correndo na escala monumental de Brasília. Enfim, não mudaria nada na minha corrida.