13.4.09

sonhando com britadeiras

Eu ia dizer que sabia que ia dar em merda. Mas é mentira. Eu não sabia não. Quando eu faltei o trabalho quinta feira pra passar mais tempo com os meus eu jurava que estava fazendo a coisa certa. Na minha cabeça pouco importava se eu tinha viajado semana passada, que meu chefe estivesse me olhando meio tronxo ou que "as pessoas só querem um motivo pra falar" como dizem os caretas de plantão. Agora eu só penso que eu devia ser mais careta porque a moderninha aqui está ligeiramente fodida. E ela nem gozou.

Tudo começou quando eu quis conciliar o sagrado com o profano. Sabe aquelas promoções dois pelo preço de um? Era o que eu queria: os meus amigos moderninhos e minha família caretinha. Quantas vezes já deu certo, porque não daria dessa vez? A gente assiste o jornal nacional na cozinha e depois vou tomar um vinho no quintal. Não parece perfeito? Se eu não fosse o que eu sou, diria que o problema todo é que não respeitei os desígnios de Deus. Mas na verdade o problema é o que eu sou. Depois de fazer uma festa que entrou sexta feira da paixão a dentro e teve proclamações do santo nome em vão, ser moderna era o de menos.

Descobri que não ter uma religião faz de mim uma pessoa sem objetivo de vida, por não acreditar num pós morte, não tenho apego à vida e por morar só, tenho forte propensão ao suicídio e ao alcoolismo. Descobri que só tenho duas alternativas de salvação: ou eu passo em um concurso ou eu me caso. Sim, uma pessoa casada é mais bem sucedida na vida do que eu simplesmente porque ela tem um marido para sustentá-la. Em menos de um dia fui de filho pródigo à Maria Madalena apedrejada.

Se pelo menos eu tivesse aproveitado a fama e tivesse sido mais putinha, se eu tivesse deitado na cama, se eu tivesse gozado, se eu tivesse feito aquela suruba, se eu tivesse bebido mais champanhe... desisto. Fiz tudo que eu quis e fui feliz, mas nada diminui a dor destas pedras.