15.10.09

does the mind rules the body?

Vários corredores famosos dizem ter um “mantra” do qual eles lançam mão quando o corpo dá sinais de fadiga, dor ou desânimo. É aquela hora em que para se preservar o seu corpo diz “não dá mais” e você tem que lembrar que isso é apenas uma esperteza dele para garantir que você não vai leva-lo até o seu limite. Tem gente que mentaliza uma palavra tipo “coragem” ou “força”, tem uns que se concentram na respiração ou em um músculo específico, e deve ter muitos outros truques que cada um inventa quando precisa – o importante é não desistir.

Eu já corri metade uma prova de 10 km
mentalizando apenas o nome de uma pessoa; um amigo corredor que havia descoberto recentemente que tinha uma doença que o impediria de correr. Toda vez que eu pensava em desistir eu lembrava dele e do quanto ele queria estar correndo e não podia. Eu podia e tinha que aproveitar essa chance. Eu nunca corri tão rápido. É assim que os mantras funcionam...

Na Meia do Rio uma das coisas que mais emociona é o público; desde os mais humildes que vivem no morro próximo à São Conrado, passando pelos chics do Leblon até os turistas de Copacabana. Todos estão lá no meio fio para torcer, bater palma e gritar palavras de incentivo. Pois foi entre Leblon e Ipanema que eu encontrei o meu “mantra” para o resto da corrida: uma menininha com seus 10, 12 anos com um carioquês carregadíssimo ao me ver passar gritou: vai LinêêÊ !

Abaixo do número de corrida também estava o primeiro nome de cada corredor, mas no meio daquela multidão de gente se torna praticamente impossível que o público se dirija a cada pessoa individualmente. Quando aquela menina falou “Line” e não “Aline” como estava escrito no meu nome de corrida, foi como se ela estivesse falando por todos os meus amigos que, eu sei, estariam lá se pudessem. Toda vez que a coragem faltava, eu lembrava da vozinha dela falando Vai LinêÊÊ... e eu ia e fui, fui até o fim.