8.10.09

Filme mudo

Ainda em Recife, poucas semanas antes de viajar para o Rio, resolvi preparar uma playlist para o meu então abandonado mp3 player. Fazia muito tempo que eu havia perdido o hábito de correr ouvindo música, mas os 21 km dão medo. A previsão do meu tempo para a meia era de mais ou menos 2h e 40 minutos – logo que soube disso pensei: caramba! É o tempo de um filme! E daqueles bem grandões! Como que eu vou conseguir correr um filme inteiro sem trilha sonora? Então lá fui eu fazer a minha trilha sonora para a Meia Maratona do Rio.


Depois de muito penar, consegui fazer uma lista de músicas que tinha desde sambas cariocas (altamente influenciada pelas novelas do Manoel Carlos), hits pessoais como Neighborhood #3, Close to me, I feel it all, Ever fallen in love, até músicas eletrônicas intermináveis só pra manter o ritmo. Fiquei muito satisfeita com minha lista, mas para minha surpresa descobri poucos dias antes da viagem que meu mp3 player tinha morrido. Será que por falta de uso? Troquei o cabo, liguei e desliguei e nada... Lembrei do último treino e me conformei: quem corre 18 km sem música, corre 21 também.

E não é que eu estava certa? E digo mais: ouvir música até atrapalharia. Muita gente corre ouvindo música para se distrair e não ver o tempo passar, e era exatamente esse o meu objetivo quando fiz a minha playlist, mas logo no primeiro km entendi que eu não iria querer nada pra me distrair. Dito e feito, a cada quilômetro eu adorava o diálogo silencioso entre eu e a paisagem carioca. Talvez Jon Brion fosse capaz de fazer uma bela trilha para essa história de amor, mas definitivamente nenhuma das músicas que eu selecionei se encaixaria com aquele momento. Eu não queria me distrair, eu queria estar atenta a tudo; árvores, mar, praia, pessoas, sons... E o tempo passou tão rápido que eu quase falei: mas já?! Como quando os créditos começam a subir e as luzes do cinema se acendem depois de um filme excelente.