8.2.10

sometimes I can't find my good habits

Eu parei de correr. Quem diria, né? Eu que assinava revista especializada, viajava pra particpar de provas, corri uma meia maratona... Eu que gastei nos ano passado mais dinheiro em shorts, tênis e tops do que com qualquer outra coisa. Nem eu mesma acredito que parei, mas a verdade é que eu não lembro quando foi a última vez que corri. Triste? Decepcionante? Não tanto quanto eu imaginei que seria. Quando mudei de cidade sabia que teria que me acostumar a correr em outros horários e em condições completamente diferentes. E eu tentei. Comprei cinto de hidratação para compensar a falta de um instrutor com uma água a cada km rodado, comprei reloginho pra marcar a distância, velocidade e outras frescuras. E até que tava tudo indo bem, eu não estava muito empolgada - participar de provas faz muita falta - e voltei a ser dependente do mp3player para correr - correr sozinha sempre é difícil - mas pelo menos eu tava seguindo minha planilha. Até as férias acabarem.

Quando comecei a acordar seis horas - e não era pra correr - e só voltar pra casa às oito da noite, eu me vi sem ter como encaixar um horário na minha rotina para as corridas. Quando me escuto falando isso, penso naquelas pessoas que são sedentárias e dizem que não fazem atividade física porque não tem tempo. Claro que se eu me esforçasse encontraria um horário para correr, mesmo que fosse em uma esteira de academia em pleno meio dia. Mas só quem mora em Teresina sabe o que significa sair de casa entre 11 e 15 horas: é meio que experenciar o calor do inferno. E a noite, bom... eu chego um pouco cansada em casa, sabe? Só um pouquinho. E seria até legal correr pra relaxar, mas Teresina não tem parques seguros e sair correndo pelas ruas daqui à noite é pedir pra ser assaltado.

Nos primeiros dias sem correr eu fiquei triste e irritada, crise de abstinência total, mas depois eu fui me conformando e mesmo nos dias que chegava em casa mais cedo, eu só queria olhar meus emails, tirar um cochilo ou só ficar sem fazer nada - correr, então, era a última coisa que eu pensava. Como que um hábito que beirava o vício é perdido tão facilmente? Ao mesmo tempo que fico feliz por não sofrer em demasiado com adaptações, também me deprimo pensando se isso não denota um desapego excessivo à tudo. E agora definitivamente não estou falando de corrida. Gente é um bicho muito estranho mesmo. Eu principalmente.