12.4.10

Teresina, 2010.

Ele já provavelmente se esqueceu do que escreveu no cartão postal que me enviou do além-mar. Eu não o culpo, pois até eu, muitas vezes nesse tempo, dei o cartão por perdido e, algumas vezes, o esqueci. Sim, ele mesmo [e com ele, o cartão]. Não é nenhuma novidade que a gente se ausenta.. engraçado, acho que ele mencionava isso no tal postal. Mas na verdade o que me fez lembrar daquele tempo não foi a ausência, mas sim a falta que a presença faz. Ah, que grande diferença isso tem! A vontade de tê-lo aqui é tanta que as lembranças não são suficientes. Olhar fotos, vídeos e cartas é bom, mas não quando você quer muito que o passado não seja passado. Não apenas relembrar de alguns momentos de vida que já passaram, mas querer desesperadamente ouvir uma voz, sentir um cheiro, abraçar-beijar, compartilhar alguns segundos, minutos momentos....um pedaço da vida? É tão bom quando o passado não perturba e as lembranças são acalentadoras. Ruim são os dias como hoje em que lembrar é sofrer. É querer muito escrever um cartão postal igualzinho àquele de antigamente e dizer que tudo aquilo que foi escrito há tanto tempo ainda está valendo. Ou então simplesmente enviar um cartão. Só pra compartilhar vida, mesmo que seja distante.