9.4.12

meus amigos supersedentários

(...) Mas ainda há - e sempre vai haver - um grupo de pessoas para quem calçar um tênis e dar as primeiras passadas é algo inimaginável. São os "supersedentários". Digo "super" porque não são apenas sedentários no corpo, mas também no espírito. E não é que sejam "preguiçosos convictos", que odeiem com todas as forças aquela turma magrinha que fica conversando sobre provas de corrida. Eles simplesmente acham que jamais pertencerão a esse mundo, que são incapazes de praticar esporte. Estão errados. Na origem, a única coisa que um ultramaratonista tem de diferente em relação a um sedentário é vontade.


Quando li essas palavras do Marcos Paulo Reis na revista Runner's Brasil, imediatamente lembrei de vários amigos meus. Gente que acha 5km uma distância enorme e mesmo sem nunca ter tentado, vive dizendo que "não consegue correr". As vezes me sinto frustrada porque não consigo converter meus amigos para a corrida - não que eu nunca tenha tentado, muito pelo contrário, eu incentivo, chamo pra correr comigo, dou meus tênis antigos, faço tudo que está ao meu alcance, mas não posso simplesmente obrigá-los a correr. Ah se eu pudesse...


Eles até sentem orgulho de mim, da minha felicidade em correr, mas penso que eles têm medo de se tornarem saudáveis demais, como se por você praticar algum esporte automaticamente você se tornasse vegan, abandonasse a vida boêmia e passasse a acordar todo dia 5 horas da manhã. Eles teimam em não ver que eu sou o exemplo do extremo oposto: de que dá pra praticar esporte sem abrir mão da vida social e da cervejinha com os amigos. Basta tentar.


O problema é que adquirir um hábito ou abandonar um velho hábito é mesmo muito difícil. Mas como o Marcos Paulo Reis falou, o segredo é ter vontade. Ter amigos que te incentivam é um plus, ajuda bastante, mas infelizmente não é o suficiente. Sei também que é difícil abandonar um estado de auto-comiseração e fazer algo por si, pois é muito mais simples ter uma vida sofrível e choramingar, do que calçar um tênis e se sentir bem depois de uma corrida, com disposição e coragem pras batalhas da vida. O que posso dizer além de "VALE A PENA"? Imagina aquela cachaça homérica que você toma quando tá muito triste ou numa vibe derrota e tira a parte da ressaca desgraçada do dia seguinte. A corrida é mais ou menos assim. Tudo bem, tem coisas que só um porre com os amigos resolve, e tudo bem também você não correr no dia seguinte porque não aguenta nem levantar da cama. Mas é sempre bom ter muitas cartas na manga. É bom saber que quando você precisar, você tem a capacidade de sair pra correr com a certeza de que irá voltar melhor do que saiu. E eu só quero o melhor pra vocês, meus amigos.