17.5.12

Descansar é preciso





João gostava tanto de treinar que, antes de morrer, pediu para escreverem na sua lápide: "Descanso também é treino".

Escrever esse post é um exercício para internalizar esse fato: eu preciso de descanso. No começo do mês comecei a sentir umas dores na perna esquerda, nada muito sério, mas que no dia seguinte aos treinos se manifestavam sempre. Diminui o volume e a intensidade dos treinos, mas mesmo assim a dor que se concentra na panturrilha persiste sem dar sinais de melhora. Preocupada em manter a planilha de treino para a Meia Maratona do Rio, a última coisa que eu queria era parar de correr. Mas o bom senso venceu e ontem fiz meu último treino até me recuperar completamente.

Já me sinto gorda e sem ritmo. Penso que perderei todo o condicionamento que adquiri nos últimos meses e não vou poder fazer o tempo que almejava na Meia. Uma onda de tristeza me invadiu. Me sinto ridícula em assumir isto, mas a verdade é que sou assim: pessimista e viciada em corrida. Mais uma vez tenho que exercitar o desapego. Cadê a sabedoria de monge budista pra eu entender que meu bem-estar tem origem em mim e não na corrida? É muito difícil não nos tornar dependente do que nos faz bem. Ser livre é um desafio.

Além do tempo que é um santo remédio, busquei a ajuda de uma amiga fisioterapeuta cujas massagens e exercícios de propriocepção têm sido fundamentais para a minha recuperação. Descobri que tenho usado muito pouco o quadril (e os músculos do bumbum) durante a corrida e por isso sobrecarrego outros músculos. Há males que vem pra bem, com os exercícios para "ativar"meu quadril acredito que "daqui pra frente tudo vai ser diferente".

Enquanto não me recupero completamente, resolvi encarar esse período de descanso como uma desintoxicação e abrir mão de outros vícios além da corrida. Inclusive pensando na manutenção do peso, acho que é uma boa tentar eliminar a coca-cola da minha vida por uma semana. São as leis da compensação, né? E para não perder o condicionamento totalmente, pretendo acordar cedinho pra pedalar. Sei que no fim das contas, vai ser bom pra mim. Sigo com meu mantra: desapega e evolui!