18.7.12

recomeçando na série D


Não é fácil recomeçar. Na corrida não existe um "Previously on Lost...." pra você relembrar em segundos tudo que aconteceu  no último episódio e começar exatamente de onde a última corrida terminou. Tudo torna-se uma vaga memória, ainda mais quando faz mais de um mês que você correu pela última vez. Você sabe que corria muitos quilômetros por semana e tinha alguma velocidade, mas fica pisando em ovos com medo de estar fazendo "alguma coisa errada". A corrida não flui. "Estou pisando direito? Estou aterrisssando legal? Ativa glúteo! Ativa glúteo! Meu quadril está desviando? Meu ombro tá caído? Meu pescoço tá tenso! Relaxa, relaxa, relaxa. Não acelera tanto, você vai se lascar de novo. Você tá se arrastando, desaprendeu a correr?" Penso tudo isso e mais outras dezenas de coisas entre uma inspiração e outra. É a mente lesionada. E aí não tem fisioterapia que dê jeito. Sei que durante muito tempo vou correr com o fantasma da lesão na minha cola, é inevitável. Talvez seja apenas uma estratégia da minha mente pra evitar que eu saia correndo desembestada querendo baixar pace. Prudência, minha filha.

Pior do que correr devagar, só ser ultrapassada por todo mundo que você costumava deixar pra trás. E ter que se resignar; engolir o orgulho e o espírito competitivo, e manter o pace de tartaruga manca. Eis que vos digo: Não é coisa de Deus não! Não sou uma pessoa competitiva, mas tudo tem limite. Se fosse um campeonato de futebol, eu teria sido rebaixada da série B pra série D. Sei que estou longe de ser série A, não estou no topo da tabela brigando por títulos, tudo que eu quero é voltar a jogar correr com meus amiguinhos da série B, entendeu? Eu sempre corro no mesmo lugar, no mesmo horário, com as mesmas pessoas e na minha cabeça existe um ranking mental daquele povo todo. Não que eu fosse uma top of the pops, mas eu não passava vergonha. Não passava, porque agora eu tô perdendo até pro gatinho marombeiro das pernas finas que corre uma vez por semana e não consegue fazer nem 4km sem parar. Aí eu foco no mantra da Dory de Procurando Nemo: Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar...

Resumindo o babado, a verdade é que eu tô perdendo pra todo mundo. Pra o fantasma da minha lesão, pra o meu pace antigo, pro marombeiro e mais umas 10 pessoas.  "Não está sendo fácil". Toda vez que termino um treino a vontade que tenho é de deitar na BR de tão frustrada com o pace, com a quilometragem, com a respiração ofegante e a falta de resistência, mas aí eu lembro que há uma semana a minha frustração era porque eu não podia correr, então é melhor eu me regozijar por correr 5km sem dor. A verdade é que é tão bom estar de volta ao jogo que perder é o de menos. E eu não quero pendurar minhas chuteiras tão cedo!!