20.8.12

"Não tente fazer isso em casa"

Vocês sabem que a Meia Maratona do Rio foi nesse fim de semana, né? E que eu disse que ia participar, né? Então, eu fui. Fiz a minha vontade e completei pela segunda vez a meia maratona mais linda do Brasil. Obviamente que eu iria escrever aqui sobre essa experiência única e maravilhosa, mas, a bem da verdade, eu tô mesmo é com uma vergonha danada do que eu vou contar. Amigos corredores, não me julguem!

Há pouco mais de um mês eu continuava sentindo algumas dores bem incômodas no pós-treino que oscilavam muito entre melhoras e recaídas. Eu não me sentia segura para aumentar as distâncias e muito menos a velocidade. Os treinos de corrida pareciam um desgaste em vão. Diante dessa situação, eu tomei a decisão radical de não mais correr até o dia da prova. Em contrapartida eu iria fazer spinning três vezes/semana e Pilates, duas vezes. O meu raciocínio era manter meu condicionamento cardiorrespiratório sem agravar ainda mais as lesões.

Como eu não estava nas minhas condições normais, abstraí a ideia de fazer tempo e foquei apenas em completar a prova. O problema é que não era qualquer prova... eu tinha 21km pela frente. Pra uma pessoa que está há meses sem treinar e cuja maior distância percorrida era um 10km feito há três meses completar uma meia maratona começou a ganhar contornos de um desafio hérculeo.

Não vou mentir, eu estava com muito medo de sucumbir às dores e principalmente ao despreparo físico e mental. Quando você não se sente preparado para um desafio, a ansiedade te consome e você só acredita ser capaz quando cruza a linha de chegada. Foi bem isso o que aconteceu. Besuntada de Biofenac spray para "maquiar" a dor nos primeiros km, comecei a prova sem saber que ritmo eu suportaria. Depois da subida da Niemeyer, nos sentimos mais confiantes e mantivemos um pace de 6:40~7:00min/km - o que eu achei surpreendente e já comecei a fazer cálculos e pensar: "dá pra fechar em 2h30!" Não tem jeito pra mim não!

Eu tinha esquecido de como era sofrido correr 11h da manhã na enseada de Botafogo sem ter uma sombrinha de árvore para se esconder. Eu já não me lembrava de como era uma tortura estar no km 15 e ver do outro lado da avenida as pessoas chegando no km 21. Só a teoria da relatividade pode explicar o fato do km 17 ser duas vezes maior do que qualquer outro km. Aquele retorno não chegava nunca. Nessa hora o pace pra 2h30' já tinha ido para as cucuias. Eu alternava caminhada com corrida e só sorria quando aparecia um fotógrafo na minha frente. As bolhas nos dedos incomodavam e eu podia sentir a cada passada que elas cresciam e cresciam. Nessa hora eu só pensava "A dor é passageira, desistir é pra sempre" e seguia em frente.

Mais uma vez meus amigos foram essenciais. Sem eles eu não teria conseguido. Sem eles nem teria graça conseguir. Participar dessa Meia não era um projeto individual em comum, mas sim um sonho compartilhado. E existe uma diferença gigantesca aí que nem todos são capazes de captar. Por isso, mesmo lesionada e sem treinar, não abri mão de corrê-la. Sei que prova tem todo ano e que fui muito imprudente nas minhas decisões, mas sei também que existem momentos e pessoas únicas pelos quais vale todo o sacrifício.

Mas como eu disse no título: não tente fazer isso em casa. E nem na rua! ;)






ui, que gelado.